COVID-19: Hidroxicloroquina poderia realmente ser a resposta?


19/03/2020 23h19 | Por: Maisteixeira/Fonte medscape

O antigo medicamento genérico para a malária, a hidroxicloroquina (Plaquenil, Sanofi-Aventis, entre outros), também utilizado no tratamento de doenças reumáticas, pode ser um tratamento essencial para o COVID-19?

Esta hipótese, apresentada por alguns, incluindo o professor Didier Raoult, da IHU Méditerranée Infection em Marselha, foi descartada por outros eminentes especialistas em doenças infecciosas e descartada como notícia falsa recentemente pelo Ministério da Saúde.

No entanto, ressurgiu ontem com a apresentação no YouTube pelo professor Raoult de resultados positivos em um estudo não randomizado e não cego de 24 pacientes.

A seguir, resultados encorajadores in vitro, obtidos por uma equipe chinesa liderada por Xueting Yao, do Terceiro Hospital da Universidade de Pequim, em Pequim, na China, que foram publicadas on-line pela revista Clinical Infectious Diseases em 9 de março. No entanto, os dados foram considerados insuficientes pela comunidade de infecção para recomendar o composto como tratamento.

Além disso, a cloroquina não está listada entre os quatro tratamentos estudados como parte do ensaio clínico europeu recentemente lançado, pilotado por Inserm, que inclui 3200 pacientes hospitalizados graves, incluindo 800 pacientes franceses.

A cloroquina foi descartada devido ao risco de interações com outros medicamentos para comorbidades comuns em pacientes infectados e devido a possíveis efeitos adversos em pacientes submetidos à ressuscitação.

O Estudo de Marselha

O Registro de Ensaios Clínicos da União Europeia mostra que o estudo de Marselha foi aceito em 5 de março pela Agência Nacional de Segurança de Medicamentos (ANSM). Pode incluir até 25 pacientes positivos para COVID-19, incluindo cinco com idade entre 12 e 17 anos, 10 com idade entre 18 e 64 anos e mais 10 com 65 anos ou mais.

Embora os dados ainda não tenham sido publicados e, portanto, devam ser interpretados com cautela, este estudo não randomizado e não cego mostrou uma forte redução na carga viral com a hidroxicloroquina.

Após 6 dias, a porcentagem de pacientes com teste positivo para COVID-19 que receberam hidroxicloroquina caiu para 25% versus 90% para aqueles que não receberam o tratamento (um grupo de pacientes não tratados com COVID-19 de Nice e Avignon).

Além disso, comparando pacientes não tratados, aqueles que receberam hidroxicloroquina e aqueles que receberam hidroxicloroquina mais o antibiótico azitromicina, os resultados mostraram que houve “uma redução espetacular no número de casos positivos” com a terapia combinada, disse o professor Raoult.

Aos 6 dias, entre os pacientes que receberam terapia combinada, a porcentagem de casos que ainda apresentavam SRAS-CoV-2 não era superior a 5%.

A azitromicina foi adicionada porque é conhecida por ser eficaz contra complicações causadas por doenças pulmonares bacterianas, mas também porque demonstrou ser eficaz em laboratório contra um grande número de vírus, explicou o especialista em doenças infecciosas.

Fonte aqui da reportagem: https://www.medscape.com/viewarticle/927033