Delegado denuncia a falta de coleta de impressão digital em local de crime


07/09/2020 15h54 | Por: Maisteixeira/Fonte rxnoticias

O improvável virou regra no que diz respeito a investigação na área da papiloscopia, em local de crime em Salvador. A maioria dos casos de locais de crimes não é feitas coletas de impressões digitais, mesmo em casos de homicídios.

A coleta de fragmentos e evidências em local de crime é o início de uma investigação forense. Essas evidências resultam na descoberta do modus operandi, como também na elucidação do crime e a determinação da sua autoria.

Embora esse procedimento seja crucial no procedimento investigativo, peritos criminais baianos estão deixando de encaminhar a guia de perícia papiloscopia para os peritos técnicos (papiloscopistas), que de fato tem a expertise na área. 

Segundo um delegado de Polícia Civil da Bahia, que não quis se identificar por causa do receio de represália e do assédio moral, não solicita mais guia de perícia papiloscopia, já que as vezes que solicitou sempre teve o resultado inconclusivo.

Para o delegado é mais fácil encaminhar uma lista de suspeitos para ter acesso a ficha de identificação criminal, do que solicitar exame papiloscópico do local de crime.

“Trabalhei no interior e pude ver o trabalho de um perito técnico que é papiloscopista, que elucidou um caso de latrocínio, porque coletou a impressão digital no local do crime, e aqui em Salvador eles são impedidos de realizar sua função por vaidade”, afirmou o delegado.

Conforme o inciso III do art. 53 da lei orgânica da Polícia Civil da Bahia, uma das atribuições privativas do cargo de Perito Técnico de Polícia Civil são de exercer as atividades na área de papiloscopia.

O perito técnico é responsável em coletar e realizar exames papilares nas digitais encontradas nas pontas dos dedos e na palma das mãos de pessoas vivas ou mortas. A coleta de impressão digital em local de crime apresenta provas incontestáveis da autoria do fato delituoso, por meio do laudo papiloscópico.

A falta de explicações da não utilização desses papiloscopistas para realização de coleta das impressões digitais em locais de crimes, resultam em milhares de inquéritos de homicídios sem autoria encaminhados ao Ministério Público da Bahia (MPBA), pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).